quinta-feira, outubro 24, 2013

O tempo passa, o tempo voa...

...e eu ainda querendo que todo mundo se foda...

Bom dia, Vietnãn!

Muita coisa mudou nesse tempo de ausência. Muita coisa boa, muita coisa ruim. O importante é: faço questão de não esquecer da minha vida, de toda a história que me trouxe até este momento chave.

Fico feliz de voltar aqui, reviver e ter a certeza de que tudo que fiz, me inventou de um jeito que nunca esperava. Continuo rabugento, continuo teimoso. Isso faz parte de mim. O que muda (ou volta) é a vontade de ter sonhos novamente, de viver e de se perder.

 Obrigado caminho certo, por não deixar eu enlouquecer.

 Obrigado caminho torto, por me mostrar onde não pisar.




Leia ouvindo | Journey - Apotheosis |

quarta-feira, agosto 20, 2008

Operação “Spartacus” – II. Nos bastidores

Enquanto isso, há exatos 11 dias da viagem, nota-se que por mais planos que faça ou que possa ler e estudar, a conclusão é sempre a mesma...

quarta-feira, maio 07, 2008

Operação “Spartacus” – I. Apresentação

Camaradas de caminhada, trago ao conhecimento de todos o mais importante projeto desse intrépido, belo, deveras inteligente, munido de incontáveis predicados que vos escreve de vez em nunca.

Dou inicio á “Operação Spartacus”. Primeiramente, como homem educado e civilizado que sou, vou contar a história de nosso homenageado.

Spartacus, como muita gente deve saber, é um filme do renomado diretor Stanley Kubrick, vencedor de quatro oscars na década de 60. Spartacus também é o nome de um antigo jornal periódico anarquista. Pode ser também o nome de um grupo revolucionário socialista alemão, fundado em 1915. Spartacus pode ser ainda o nome de um asteróide ou até título de disco de uma banda de rock. O que pouca gente sabe é: Spartacus existiu. O motivo de tanta inspiração? Para explicar esse fenômeno, precisamos dar um breve passeio pela história de seu mito.

Viveu entre 120 e 70 aC. e foi líder em uma revolução de escravos contra a antiga Roma. De origem trácia (leste da Grécia), Spartacus foi incorporado a um grupo auxiliar do exército romano e, por desertar, foi caçado, capturado e vendido como escravo. Posteriormente foi revendido e, por sua força, foi confinado em uma escola de gladiadores em Cápua, onde contraiu sua fama. Enraivecido pelos maus tratos, ele e mais alguns gladiadores atacaram os guardas da academia, fugindo logo depois. Neste meio tempo, Spartacus e seu grupo encontraram armas e iniciaram uma cruzada pela libertação no coração do império. Várias expedições romanas foram enviadas a fim de eliminar Spartacus e dispersar a rebelião porém, sem sucesso. Só algum tempo depois, já merecendo a atenção da alta cúpula, o cônsul romano Crassus venceu-o em batalha, crussificando todos os sobreviventes ao longo da Via Ápia. Relatos falam da bravura de Spartacus mesmo sabendo da derrota certa.

Com certeza, nosso colega acima era um homem de fibra. Na minha concepção, Spartacus serve como uma idéia, assim como outros heróis pessoais. O legionário que virou escravo, que virou gladiador, que virou comandante e, por fim, virou mártir. No fundo dessa trama, temos como foco a luta pela liberdade. Liberdade de pensamento, de ir e vir, de escolher, de não querer ser posse, de escolher quando dizer sim ou não. Ao longo do tempo ouvi muitos “nãos”, fui recriminado e me recriminei. Vi pessoas prenderem-se a conceitos estapafúrdios como “minha mãe não deixa” e “o que é que vão pensar?!”.

“Operação Spartacus” é o nome que dou à minha grande viagem. Não, não vou me matar, ainda tenho alguns layouts pra entregar. Nem vou comprar um quilo de drogas. A viagem que vou fazer é aquela que eu quis a vida toda: sair sem rumo pela Europa. Claro que não é tão sem rumo assim mas, não vou seguir a regra à risca. Pretendo viver com intensidade máxima cada momento, cada lugar, desatar amarras, esquecer dos “nãos”, das “mães nazistas”, do pensamento covarde de outrem, das minhas nóias.

Tenho como meta encarnar o espírito de nosso bravo paraninfo e seguir em frente, se possível, libertando outros. Afinal, que líder libertário eu seria se trabalhasse apenas em minhas correntes?

Leia ouvindo | "Brother", Alice in Chains |

segunda-feira, abril 23, 2007

Sobre medo.

Esses dias prestei atenção ao significado do “ter medo”. Do que sentimos medo? Quando crianças dizíamos temer o monstro que vive debaixo de nossas camas. Adolescentes, de que nossos amigos nos vissem em situações constrangedoras. E agora, adultos? Nós que já ultrapassamos a barreira vinteônica, muitas vezes, já contraímos tantos receios que tornamo-nos bombas relógio.

Primeiro, quando mais jovem, temia não honrar meus pais. Atentava para toda e qualquer ação, minha e dos outros. Aprendia tudo que era possível, tentava ser justo ao máximo. Muitas vezes errava, reconhecia e me desculpava. Alguns aceitavam, outros retalhavam. Um dia percebi que tinha que honrar a mim mesmo. Sendo, ainda, justo e sincero. Honra não se transfere e cada um encontra o caminho para sua própria.

Em uma fase posterior, tive muito medo de falhar em minha profissão. A insegurança era tanta que paralisava minha criatividade. Não conseguia pensar, cada problema transformava-se em um Godzila corporativo. Tempo e experiência foram mentores para tornar-me um profissional.

Hoje, meus medos enraízam na parte mais frágil de qualquer pessoa. Sofrer pelo coração tornou-se um fardo muito maior do que imaginei. Enquanto resolvia meus problemas “políticos” e profissionais, uma nuvem negra cresceu em volta do meu peito. Fez com que magoasse pessoas extraordinárias, que me amavam muito. Uma atitude incompreensível, por vezes, imperdoável. Na tentativa de evitar sofrimento, a dor foi a mesma. Talvez até maior do que esperava. As mesmas palavras ásperas, as mesmas lágrimas, o desespero vivo que fala por nossas bocas sem permissão.

Ainda preciso resolver questões dentro de minha cabeça. Continuo confuso e temeroso. Só me resta pedir perdão àqueles que fiz sofrer, erguer a cabeça como um homem e continuar no caminho.

Leia ouvindo "Pearls", Sade

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Contos de renovação - 1° Parte

...Pela manhã e pela tarde o frio predominou e os ventos passaram fortes...
A noite abre-se ao dia. As nuvens não dispersaram e o céu palidou-se. Pela manhã e pela tarde o frio predominou e os ventos passaram fortes pelos corpos e pelo mar, instigando as ondas que lançavam seus respingos ao ar, espalhando o cheiro de maresia.

Um rapaz cerra os olhos para o horizonte frigido e branco. Sente no corpo o soprar turbulento da praia. Os cabelos bagunçam, a maré molha suas pernas. Olha o oceano e recorda os momentos de agonia naquele primeiro minuto em que explodiu junto à chegada do novo. Revê as lágrimas derramadas junto à água. Sentiu seu exorcismo naquele instante, viu-se sozinho no punhado de amigos. Só a renovação cabia, só a restauração importava. Lembra a segunda explosão onde afrontou a dor enraizada na alma.
VAI EMBORA!!!” gritou repetidas vezes enquanto abria o peito em desafio. Arriscou jogar a garrafa barata no mar mas, foi detido por um alívio repentino. Sem
aviso prévio, ela havia partido. Sentia-se livre. Respira fundo e, com os olhos ainda molhados, pronuncia um tremulo “Obrigado...”- agradece às águas.

Eram memórias de uma noite de libertação. Ele percebe que a mudança é permanente, nota que não é mais o mesmo. A coragem invadiu seu coração no momento certo. Está renascido. O vento gelado passa a ser um abraço doce de vitória e vida. A água fria lava seus pés para a nova jornada de batalhas que virá a enfrentar. Dessa vez não sente medo e sim, vontade.

A brisa ainda bagunça seus cabelos. Olhos cerrados levantam-se para o horizonte novamente. Enfim homem, compreende seu destino.


Leia ouvindo "Partida Del Leprosario", Gustavo Santaolalla

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Esquecendo 2006.

Sade - Pearls
there is a woman in somalia
scraping for pearls on the roadside
there's a force stronger than nature
keeps her will alive
this is how she's dying
she's dying to survive
don't know what she's made of
i would like to be that brave

she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives a life she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes

hurts like brand-new shoes

there is a woman in somalia
the sun gives her no mercy
the same sky we lay under
burns her to the bone
long as afternoon shadows
it's gonna take her to get home
each grain carefully wrapped up
pearls for her little girl

hallelujah
hallelujah

she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives in a world she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes
hurts like brand-new shoes

sexta-feira, setembro 29, 2006

I can't tell you why.

Look at us baby, up all night
Tearing our love apart
Aren't we the same two people who live
Through years in the dark?
Ahh...
Every time I try to walk away
Something makes me turn around and stay
And I can't tell you why

When we get crazy,
It just ain't to right,
(Try to keep you head, little girl)
Gir, I get lonely, too
You don't have to worry
Just hold on tight
(Don't get caught in your little world)
'Cause I love you
Nothing's wrong as far as I can see
We make it harder than it has to be

And I can't tell you why
I can't tell you why
No, no, baby, I can't tell you why
I can't tell you why
I can't tell you why


Leia ouvindo | Eagles |

terça-feira, setembro 12, 2006

Sussurros da noite.

Por esses dias um grilo tem visitado os “Alpes da Brasilândia” onde resido. Passa a noite a “cricrilar” em frente à minha janela. Incansavelmente. Por incrível que pareça, os renitentes “cri-cris” não me incomodam, pelo contrário. Levam-me de volta à minha infância querida, encalacrada em algum canto escuro e distante da minha memória.

Diferente de muitas pessoas, não vou contar histórias incríveis de uma criança cheia de vida. Aliás, não vou contar história alguma. Vou escrever sobre a minha percepção de mundo, muito diferente das outras crianças.

Nunca fui convencional. Sempre atentei para coisas que ninguém, até seus seis anos de idade, prestava atenção. No vento soprando as nuvens e os resquícios de lua pela manhã, o movimento demorado do Sol pela janela deixando o canto da minha cama, o cheiro da chuva e o céu confuso entre tons cinzentos e o azuis. Claro que gostava de brincar, mas era isso que me fascinava. Ficava parado, observando com paciência, percebendo o momento segundo a segundo e, às vezes era isso o que durava. Poucos segundos.

Lembro de uma janela rachada no quarto de minha avó.A fissura atravessava o vidro na diagonal, fazendo uma curva que começava quase reta e terminava íngreme. Gostava de ficar olhando para ela e imaginando que era parte do desenho de uma montanha bem verde e que eu desceria de carro um dia. Até cortei-me certa vez quando resolvi fingir que o carro era meu dedo. Com três anos de idade, ainda temia o sangue. Não senti a dor do ferimento, no entanto chorei ao ver o vermelho vivo.

Recordo quando viajava com meus pais para colônias de férias na praia. A sensação de estar em um lugar novo, ainda que sempre fosse o mesmo. Pessoas novas, amigos novos, as brincadeiras, tentar ver os filmes que exibiam a noite e que crianças não podiam ver, tentar pescar girinos pensando que eram peixes pretos, a grama da noite molhada pelo sereno, o ar úmido de praia, a areia entrando no tênis, o xixi escondido no mato e o som dos grilos.

Uma lembrança muito marcante era o som dos grilos anunciando a chegada da noite. Dezenas deles, fazendo aquele “cri-cri”, me hipnotizando, dizendo: “Olha, a noite chegou, você já viu a lua?”. Adorava ir para algum canto, solitário, ouvir os grilos, ver a lua e sentir o cheiro do mato. Desligava do mundo nessas horas. Pensava sobre tudo enquanto escutava aqueles sons que me encantavam e que eu nunca sabia de onde vinham ao certo. De alguma forma, sabia que um dia isso ia mudar, então, sentia o peito apertado, com saudade de uma história que havia apenas começado.

Saudade que hoje é real. Um encanto que a vida adulta me tomou, prazeres que hoje, não são mais tão simples. Lembranças doces e distantes que um grilo perdido na cidade trouxe de volta. Um abraço quente que não sentia há tempos, de mim mesmo vinte anos mais novo. Outra vez, ao deitar na cama, vou dizer: “Boa noite, meu amigo.”. Espero ouvir sua resposta mais uma vez. “Cri! Cri! Cri!...”

Leia ouvindo | Silêncio!! |

quinta-feira, julho 13, 2006

Brisa despedaçada.

Um homem sai de seu escritório depois de enfrentar 12 horas de trabalho. Seu corpo cansado quer apenas encontrar repouso em uma cama macia e a boa comida que seu lar oferece. Em meio a folhas e pastas, joga seus pertences na bolsa com pressa.

O celular toca, amigos o convidam para beber. Ele pensa em descansar, mas, a vontade de extravasar o peso das responsabilidades é mais forte. O sabor amargo e borbulhante de uma boa cerveja gelada regado a gargalhadas e ar fresco podem curar temporariamente suas dores até a próxima manhã.

Convite aceito, bolsa no carro, vidros abertos, boa música, a lua gentilmente brilhante e vontade à tona. Os ingredientes misturam-se e formam a perfeita combinação para a noite ser agradável.

No caminho pensa todos os assuntos do dia. Alguns deliciosos, outros um pouco mais preocupantes, breves revoltas sobre o trabalho. Ele não se deixa abater e segue firme, sem pensar que em poucas horas enfrentaria tudo novamente.

Estaciona o carro e combina o valor com o rapaz que promete cuidar do veículo. Chegando, vê-se livre ao sentir a mesa de bar, as bolachas de apoio, os copos tornando-se cheios e sendo selados com espuma branca e cremosa, o suor no vidro redondo, os goles gelados, a mão molhada na umidade da garrafa, os sorrisos. Sempre amou o gosto da liberdade, da vida simples e despreocupada.

Durante sua viagem interior, percebe certa movimentação. Pessoas levantam-se de suas mesas, algumas ligam os celulares, outras arregalam os olhos. Lentamente vira-se. Repara um clarão no meio da rua, próximo onde está sentado. Seus olhos cansados não conseguem focar o que está acontecendo exatamente. Força os olhos e escuta: “Está pegando fogo!!”. “O quê?”, pergunta curioso. “O ônibus!!”. Desconfiado, resolve levantar e averiguar o alarme. Só então consegue identificar as luzes. Fogo, labaredas lambiam o coletivo com voracidade. Pedaços de vidro pelo chão e outras partes que somente brilhavam em chamas. Medo e tensão passaram a tomar conta do ambiente. Até a brisa leve e suave transformou-se em um vento frio.

Ele reage apenas com a mente, revoltando-se por mais um ato de vandalismo coordenado. Os sabores dissiparam-se e deram lugar ao gosto amargo das sirenes. Ele observa um helicóptero esbaforido, provavelmente de alguma emissora de televisão. As pessoas correm, algumas riem desprezando a situação. Garçons fecham as mesas e avisam: “Pessoal, vamos ter que fechar o bar por motivos de segurança!”.

Fim de noite. A frustração trás consigo todas as sensações desagradáveis que tentou esquecer. Volta a pensar na cama macia e segura. Pensa e teme ter seu direito a um mínimo de qualidade de vida deflorado.Ele não quer mais temer. Ele não quer mais revoltar-se. Ele quer paz, justiça e consciência, mas, lutar sozinho, é pesado.

“Melhor voltar pra casa”.

Leia ouvindo | "Mi Vida", Manu Chao |

quarta-feira, julho 05, 2006

Independentes e urbanos.


Neste 4 de julho, dia da independência americana (malditos ianques), tenho o prazer de dizer que chegou ao Brasil, mais especificamente em São Paulo, a “filial” do blog americano Gothamist. Por iniciativa de um grupo de independente de jovens jornalistas, o Sampaist foi criado para noticiar a vida paulistana em seu mais amplo sentido: música, bares, arte, cultura, curiosidades, pontos turísticos e mais outros atributos da cidade mais movimentada do país. Sua equipe é muito talentosa e dedicada, o que pode ser notado em uma leitura leve, agradável e bem instrutiva. Também usam fotos características da cidade ilustrando as matérias.

Interessante é que o leitor também pode interagir com o conteúdo, não só comentando, mas enviando material. Sim, eles aceitam sugestões de textos! Claro, se estiver dentro do tema “São Paulo”, por isso nem adianta mandar um post lamentando sua vida miserável, vamos ter um pouco de bom senso.

O Sampaist é um prato cheio para quem ama São Paulo, perfeito para os urbanóides de plantão. Mesmo para quem não gosta tanto de florestas de pedra, vale muito a pena dar uma passadinha por lá e conhecer um pouco da parte bela de nossa cidade ou simplesmente informar-se sobre o que acontece no decorrer do dia.

Esse Camarada já é fã!


Leia ouvindo | "Nem vem que não tem", Wilson Simonal |

domingo, junho 25, 2006

Sede de Sade.

Todos sabem sobre minha fixação por música. Música é algo que pode transformar meu humor em segundos, embala meus pensamentos, ajuda-me a concluir idéias e desenhar lugares que nunca existiram para relaxar meus neurônios viajantes.

Hoje estou feliz por recuperar as canções de uma das divas que cantaram parte da história de minha vida: Sade, Lovers Live. Sade, pra quem não conhece, é uma cantora nigeriana que fez muito sucesso nos anos 80 e principio dos 90. Em seu repertório possui clássicos como “No ordinary love”, “By your side” (tenho uma relação intensa com essa) e a mais famosa “Smooth operator”. Quem tem seus 20 aninhos deve conhecer, com certeza. Todas suas músicas têm uma sensualidade particular, perfeitas para embalar uma noite a dois.

Deixo, então, minha dica de trilha sonora romântico-sensual: Sade, Lovers Live. Degustem e degustem-se, sem nenhuma moderação.


Leia ouvindo | "Somebody Already Broke My Heart", Sade |

Leia ouvindo | "Slave Song", Sade |

segunda-feira, junho 12, 2006

Extremo mau humor.

Sem maiores comentários...

Reflexos diários.

Fim de semana estranho. Muito estranho. Nada aconteceu, ninguém se divertiu, todos dormiram ou ficaram em suas casas. Fim de semana reflexivo. O mundo girou, o sol baixou e tudo continuou com se nada tivesse acontecido.

Tempos de dias iguais são assim. Ontem, hoje e amanhã como trigêmeos. Só as reflexões procederam em suas infinitas atividades conclusivas e questionativas.

Qual o problema?
Como começou?
Até quando?
É isso.
Foi ali.
Nunca.
Certeza?
Talvez.
...

quarta-feira, junho 07, 2006

Só um pouco mais de stress.

Difícil é a palavra do momento. Está tudo difícil, ultimamente. Trabalho, amigos, colegas, relacionamentos alheios, tempo, paciência, tudo. Esse Camarada que vos fala passa por uma fase em que nada o agrada ou tranqüiliza. Tento, ainda, achar o caminho que vinha seguindo desde tempos antigos, aquele que me trouxe até o meio da montanha.

Hoje tive uma experiência desconcertante no trabalho. Atrasei em mais um dia um projeto da agência que não poderia ser adiado. O mais chato de tudo não é ficar correndo de um lado para outro desesperado, é ver a decepção nos olhos de outra pessoa. Ver os olhos baixos, preocupados, arrependidos, quase suplicantes por voltar no tempo e erradicar certos atos de seu passado. Pois é, ser uma “pessoa legal” não é tudo na vida, existem mais coisas. Não que eu não soubesse disso, mas, há horas que parecemos jogar isso em nossa própria cara. Outro dia uma pessoa teve uma atitude decepcionante comigo. Interessante que nem deram bola, mas, tudo bem.

Acontece, coisas da vida. Nesse momento estou tentando controlar a nervosia de minha alergia, que está atacada por causa do meu nervosismo. São tantos nervosos juntos que ainda tento descobrir qual me incomoda mais.

Bom, é isso aí (íííííííííí...). Agora que já desabafei um pouco e aliviei um dos meus estresses, vou dormir e pensar em minha próxima viagem. Sim, vou viajar de novo pro nada, mais uma vez. Não perguntem onde vou parar, mesmo assim, vou aceitar sugestões. Podem começar os lances.

segunda-feira, maio 29, 2006

Os presentes do futuro passado.

Estou com vontade de escrever. Não sei sobre o que. Tenho tantas coisas pra falar, tantos assuntos pra discutir, tantas visões pra dividir que não sei por onde começar. Minha cabeça tem girado mundos inteiros de uns tempos pra cá. O que mais me marcou foi a volta do meu passado. Reparei que sempre que nossa vida (pelo menos a minha) vai dar uma reviravolta, ele bate à nossa porta.

Sempre percebo que minha vida vai mudar quando aparece algum amigo há muito sumido, uma situação que volta a acontecer ou um estilo de vida que retomo. Dessa vez ocorreram todos juntos e minha vida transformou-se em algo inesperado. Coisa do tipo “água pro vinho”. Ainda estou avaliando se foi bom ou ruim. Tendo a pensar que as coisas nunca mudam pra pior, mas, fica sempre aquela sensação de receio antes de mais um desafio. Quando percebo estar acuado, tenho a característica de atacar. Nunca recuo, nunca me dou por vencido. Enfrento de frente e de perto, “olhando o bicho nos olhos”.

Não vai ser diferente, agora. Vou abraçar meu novo estilo de vida e seguir em frente. Aprendi a ser mais forte com o que vivi no passado e sei que foi essencial pra essa nova fase. Parece até um jogo. Fases, obstáculos, ficar mais forte... Acho que a vida não é nada mais, nada menos que um grande jogo. Cabe a nós descobrir suas entradas secretas e códigos de acesso livre a novos levels. Eu passei mais um. Não sei o que esperar dessa vez e não vou pensar nisso, só esperar a hora em que o passado voltará pra me buscar e mostrar que chegou a hora de pular para a próxima tela e sei que até isso acontecer, vou estar mais forte.

Que venha esse presente antes que o futuro pretérito bagunce tudo de novo. Estou pronto pra mais uma.


Leia ouvindo "You were there", Eric Clapton

terça-feira, maio 16, 2006

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.

Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias
Mas a terra avisto em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
Seu all star azul combina com meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua
Como ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas pra tua voz
Parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul...

I'm breathing with....

terça-feira, maio 02, 2006

O que corre na alma de um Camarada.

"Há um vilarejo ali
Onde Areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão

Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"

domingo, abril 02, 2006

"E aí, companheiro?".

Vou fazer uma pausa por escrever sobre minha viagem. Hoje quero falar sobre amigos. Aqueles que, mesmo nos dias em que estamos mais acomodados, nos fazem tirar o pijama, as cobertas, o chinelo de dedo, colocar uma roupa legal e ir a um jantar, uma festa ou a uma mera reunião. Quero falar sobre eles porque acabei de voltar de um desses eventos. Um jantar, mais especificamente.

Um jantar completo. Pão, ricota, sardela, vinho, iergenmaster (ou algo assim) lasanha (e que lasanha!) e claro, na sobremesa pavê. Tudo que mais gosto. Entretanto o prato mais recheado foi aquele que saboreamos com a alma. As conversas na varanda, as piadas, mesmo que marcadas, a troca de experiências, os sorrisos, as fotos. Tudo estava perfeito.

Enquanto olhava para a toalha branca esticada na mesa, pensei em como, muitas vezes, sou mal agradecido com a vida, que me deu amigos e sabedoria para degustar momentos tão especiais.

Por isso, hoje estou feliz. Quero contemplar o que conquistei com carinho e companheirismo. Também devo agradecer àqueles que fazem parte desse império. Obrigado, camaradas, esta noite durmo mais tranqüilo.


Leia ouvindo "Like a rolling stone", Bob Dylan ou Rolling Stones

terça-feira, março 07, 2006

Caminhos de um Eremita - Parte III

Meu destino estava lá, mas, eu não conseguia ver. Claro, pegando o caminho errado nunca se chega onde quer. Disseram “Pegue a rodovia Castelo Branco e entre no quilometro 78. Depois faça a interligação e vá até a Raposo Tavares, então é só seguir até o quilometro 100 e já chegou”. Não consigo nem seguir instruções decentemente, desde pequeno me perco nos lugares mais absurdos. Certa vez, quando estudava no Makenzie, logo no primeiro dia de aula, consegui perder-me no horário do intervalo e não pude retornar à sala. Alguns professores lembraram disso até o fim do ano, o que me dificultou bastante a vida. É uma vergonha.

Depois de muitos “Whata fuck!! Onde é que eu fui parar??”, consegui encontrar meu hotel (eu disse HOTEL, com “h”, assim como o maldito “heremita” que me encheram tanto o saco pra arrumar. Tá certo, tudo por um bom português) que ficava em frente a um Carrefour, perto da rodovia.

Chegando, fui resolver os problemas de instalação. Nome assinado e malas pra dentro. Começava minha empolgante jornada rumo ao desconhecido.

Com dez minutos de viagem já queria voltar. A TV do quarto pegava mal, o hotel era vazio e o andar inteiro fedia cigarro apagado. É, não podia deixar-me abalar pelas dificuldades e aridez do terreno, tinha que continuar, firme, forte e com um puta sono. E que sono!! Só conseguia pensar em dormir, mas, antes precisava tomar banho e escovar os dentes. Exatamente tudo o que não tinha no quarto. O que fazer? Foi aí que lembrei do Carrefour! Bendito seja!!

Guardei as malas, peguei a carteira, coloquei um chinelo e fui comprar sabonete e shampoo. No caminho fui me animando para ver a cidade. O vento estava favorecendo um bom clima para a noite levemente quente.

Com os acessórios comprados, voltei ao hotel e fui tomar meu delicioso banho. Delicioso não sei pra quem. Ao abrir o chuveiro, caiu uma água tão gelada que pensei que estavam de brincadeira comigo, só podia ser. E não tinha nada para mudar a temperatura da água. Pensei “Acho que ela esquenta com o tempo”. Sim, uns 20 minutos. Ótimo, adoro passar frio.

Banho tomado, faltava só escovar os dentes. Sabia que faltava alguma coisa. Volto a colocar o chinelo e o rumo do mercado de novo.

Dentes escovados, banho tomado. Agora sim! Jantei no restaurante do hotel e fui passear um pouco. Desci a avenida vendo as pessoas, os bares, os carros, tentando descobrir onde ia parar. Vi o céu da noite, que a muito não via. Essa caminhada sem compromisso me fez bem. Resolvi, então, parar num bar e pedir uma cerveja.

Beleza, estava eu lá, solitário, o homem da estrada pedindo minha cerveja gelada sozinho, como nos filmes de cowboy. Primeiro gole e penso “Da hora!”. Olho as pessoas rindo e divertindo-se. Os casais se beijando. Tomo o segundo gole e penso “Que merda! Que que eu to fazendo aqui sozinho??”. É, camaradas, ficar sozinho é bem estranho. Mais do que eu imaginava. Bem mais.

Pra não dizer que a noite foi totalmente perdida, vi um atropelamento. Uma moto atropelou um rapaz que subia a avenida a cavalo bem pelo meio da rua. O que dá na cabeça de um cara pra subir uma avenida movimentada a cavalo, com um galho na mão e virar de repente? No meio da rua!! Claro que seria atropelado! Logo que virou, percebi o que estava por acontecer. O barulho do impacto foi alto. O rapaz e a moça que estavam na moto voaram para o chão enquanto o safado do peão erguia-se para fugir em seu cavalo branco. Que cena bonita. A policia, como sempre, chegou atrasada. Adoro gente ágil, tanto o rapaz e seu cavalo branco quanto a policia.

Pedi mais uma cerveja. Queria ver se aquela sensação passava, mas, percebi que vinha pra ficar. Voltei ao hotel vazio e para meu quarto-cinzeiro. Dormir longe de tudo e de todos também é bem estranho. Quem sabe no dia seguinte não me sinto melhor?

Continua...

Leia ouvindo "Como vovó já dizia", Raul Seixas