Santo cansaço, Batman! Será que existe vida depois do trabalho? Baseando-me nos últimos meses a resposta para nossa enquete é não. Nem sei mais o que é chegar em casa e ver meus pais acordados. A única coisa que escuto é minha mãe, empapuçada de sono, dizendo "Não esquece de escovar os dentes!". Quem diria que eu um dia fosse pensar nessas cobranças sem o menor cabimento para um homem de 23 anos como uma feliz e nostálgica ponte com meu passado ainda não-circense.
Fora isso, também gostaria de estar com meus irmãos no show do Pearl Jam. Acho que esse é o assunto em todos os blogs que se prezam. Pois é, primeira e talvez última vez que eles tocam no Brasil. E eu não vou estar lá. Meu consolo (olha essa cabeça suja, muleke!) é pensar que economizei 120 reais. Prefiro deixar assim.
Bom, no resto ta tudo bem, eu continuo sendo escravo, continuo com olheiras, continuo sendo alvo de chacotas e continuo com essa alegria de viver tão visível.
Ah, gostaria de deixar um oi especial para o mecânico (sem palhaçadas, vocês, hein!) que prometeu levar o limpador de pára-brisa novo para o meu carro e me deixou na mão! Foi muito emocionante dirigir na chuva a noite sem ver nada! Obrigado, companheiro!! Te estimo muito, um abraço pra você e pra todos que fô da sua família!
Ainda na barca dos assuntos automotivos, acho que estou ficando um pouco estressado no trânsito. Só entre quinta e sexta persegui 3 manés que achavam que conseguiam entrar no porta-malas do meu carro com o carro deles junto. É muita palhaçada, né? E eu estava na pista da direita! Quer corrida? Vai ver a mãe no hipódromo!
Bom, acho que é isso. Para os mais preocupados gostaria de deixar claro que não estou bravo com ninguém, viu? Estou sumido involuntariamente. Mas isso vai passar, assim espero!
sábado, dezembro 03, 2005
Alegria, alegria, alegria...
segunda-feira, novembro 21, 2005
A volta do Boêmio.
Puts! Acabou o TCC da Baxinha...Graças a Deus! Agora tenho um pouco de tempo pra escrever de novo.O resultado do trabalho? Ela está entre as 30 melhores e vai fazer o desfile aberto amanhã. Ufa! Ela mereceu, mesmo! Parabéns!!
Fora isso, muitas outras coisas aconteceram nesse tempo em que estive ausente, dentre elas estão a minha troca de emprego (sim, saí do IG), a troca do meu carro (agora com um Renault Clio) e sua batida numa pilastra. Não, não fui eu quem bateu, foi o motorista do estacionamento do prédio da agência...no primeiro dia que pego o carro, é mole? Que agência? Sim, estou trabalhando numa agência de criação, agora. Finalmente voltei a ser designer. Quantas coisas, né? Fora as outras que nem lembro nesse momento.
Resolvi escrever porque li o blog de uma amiga muito querida que deixei no IG (www.sobrequasetd.blogspot.com) eacabei sentindo falta de relatar as palhaçadas do dia-a-dia, se bem que elas diminuíram muito.
Ah! Também nasceu a filhinha do meu grande camarada "Caubi Peixoto". Linda! Nem parece com ele, graças a Deus! É a Luiza, minha sobrinha postiça que, se tudo der certo, vai ser freira quando crescer.
Bom, por enquanto, é basicamente isso. Fiquem atentos! Eu voltei!
sábado, setembro 24, 2005
Confuso para alguém.
Alô?
Tem alguém aí?
Olho pela janela, você não está lá.
Onde procurar?
Todas as portas estão fechadas.
Onde encontro as chaves?
Estão quebradas.
Um faixo de luz me chama atenção. Corro ao seu encontro e chegando percebo que era apenas o reflexo do Sol no espelho.
O espelho não me reflete! Quem sou?
Procure mais.
São tantas portas! Não encontro as chaves! Onde acendo a luz?
Está escuro. Medo e frio. Onde está você?
Longe.
Alô? Alô??
Tem alguém aí?
Não, estou só.
terça-feira, setembro 20, 2005
segunda-feira, setembro 19, 2005
Crônica: Nos amargos olhos de Setembro
Manhã esbranquiçada. O frio faz com que feche as janelas do automóvel. O som alto proíbe o barulho estressante da rua, a marginal livre e a velocidade trazem o esboço de uma sensação quase feliz. O caminho está claro, a única preocupação que martela minha cabeça "Será que vão me deixar entrar?".
Como esperado, consigo subir a ponte; um homem com uma bicicleta pede passagem. Paro educadamente, mas, em meu interior, sinto a irritação de motorista impaciente. Olho no espelho, os carros enfileiram-se. Volto os olhos e vejo que o obstáculo se foi. Finalmente recupero o horizonte.
Mais uma vez, as preocupações dissipam-se, penso em abrir os vidros para sentir o vento em meus cabelos, mas, o frio rachante parece tentar manter-me enclausurado nos poucos metros quadrados do Peugeot 106, que já havia me acompanhado por tantas desventuras. Sem perceber, aproximo-me do escritório. Um turbilhão de responsabilidades, cobranças e stress voltam a me rodear. Lembro do magro salário que recebo e sou atingido por ódios e palavras que, até cinco minutos atrás, não esperava ter contato.
Último farol antes do estacionamento; um senhor de média estatura, óculos de aro tartaruga negros, calvo, cabelo branco e esgarçado, colete de lã rasgado e um saco de plástico nas mãos entra na frente dos carros. Imediatamente meu senso de esquiva faz com que minhas unhas pareçam ter 20 centímetros e começo a roê-las. Olho disfarçadamente a passagem do velho. "Será que ele vai parar aqui?". Fico cada vez mais tenso, o sentimento de impotência ante o fato é grande. Finalmente o senhor para ao meu lado. Tento ignorá-lo, mas, sinto o teor vil dessa atitude, então resolvo encará-lo. Erro terrível. Ao olhar atentamente para os olhos desse homem sinto toda sua angústia, a dor de ter trabalhado toda sua vida e não conseguir manter-se na velhice. As rugas em seu rosto contavam sua história melhor que qualquer um, até que ele próprio. Eram as fibras gastas em anos de sofrimento, desvalorização e muito trabalho que terminariam ali, em um farol entre a Av. Faria Lima e a Rua Amauri. Seus olhos pareciam querer chorar, mas, antes que as lágrimas esvaíssem de seus olhos, percebeu que a fila de carros continuava. "Quem sabe no próximo??".
O farol abre e continuo meu caminho, um pouco mais triste, um pouco mais prudente com meus demônios, um pouco mais indignado. Pensei, então: como pode alguns querer tanto e até desviar dinheiro público para ter mais conforto e outros desejarem apenas um real para garantir o almoço?!
Mundo injusto? Pessoas injustas? Qual a solução? Você tem essas respostas?

