Deprimente. Essa foi a definição desta quarta-feira porca. Acho que nunca trabalhei tanto e nunca odiei tanto a vida em apenas um dia. Nessas horas que pensamos no propósito que nos fez respirar após o parto. Por que o corno do médico maldito deu um tapa na minha bunda? Se topar com ele na rua vou fazer o estilo “pé na porta e soco na cara”.
Ontem, ao fim da tarde, minha Chefa disse que hoje chegariam toneladas de imagens e que elas precisariam ser tratadas o quanto antes pois a pauta era muito importante. Bom, o que eu poderia dizer? “Ok!”. Até então, isso já havia acontecido e já estava preparado para esse tipo de situação.
O que me irrita mais é que isso sempre acontece na quarta, o dia que eu chego mais tarde por causa do rodízio. Sempre saio por volta das 10h, pego a marginal e em uns 20 minutos chego ao escritório. Dessa vez, acordei, tomei o café e pensei “Vou pegar um trânsito desgraçado só porque preciso chegar rápido”. Batata, tuuuuudo parado. Claro! O Murph (que o Diabo o carregue) está sempre ao meu lado. Consegui, de uma forma oriental secreta, desviar da marginal e pegar o caminho convencional mas, mesmo assim, perdi alguns minutos valiosos.
Chegando à senzala corporativa, ouvi prontamente 3 gritos de minha Chefa falando-me as mesmas coisas que já havia dito no dia anterior. Disse os 3 “Eu sei” e sentei no computador. Mais ou menos umas 320 imagens para tratar e jogar no sistema. Ah, a alegria preencheu meu coração com tamanha felicidade! Coloquei a mão no rosto e repeti várias vezes o desejo de manifestar as 7 pragas do Egito na vida de cada fotógrafo que mandasse uma imagem.
Assim começou o rock’n roll.
Imagem atrás de imagem, clique após clique e um monte de patetas querendo jogar Hexic no MSN enquanto eu me matava de trabalhar.
Que inferno, parecia que estavam me matando aos poucos. Os minutos pareciam dias e o dia parecia um ano inteiro. Quando pensava estar acabando, chegavam mais coisas...e cada vez mais! Ao todo por volta de 3520 cliques. Fora as teclas de atalho e a paciência utilizados à exaustão. Pois é, o dia foi inteiro assim.
Na volta para casa tive que enfrentar os “Mangas do Trânsito”, uma espécie nativa das matas petrificadas de São paulo. Odeio gente que anda a 70Km/h onde deve-se andar a 90. Vamos aprender uma lição, faixa da esquerda é para andar rápido, a da direita devagar. Certo? Se o limite é 90 e você quer andar a 70, o que você faz?
Mas tu é um coxinha, mesmo, hein!
quarta-feira, agosto 31, 2005
Lerê-lerê - Parte II.
Lerê-lerê - Parte I.
Alguém me tire daqui, por favor??? Não agüento mais, estou no limite do talo da paciência!
terça-feira, agosto 30, 2005
Em busca do cargo desconhecido - Parte II.
Sim, chega ao fim minha odisséia em busca do cargo desconhecido! Todas as minhas angústias, medos e delírios foram saciados por volta das 15 horas. Achei que não fosse saber nunca! Entrava um, entrava outro e nada de me chamarem. Ufa, que agonia! Vou contar como foi ao bom som de "I Feel Fine".
As reuniões começaram por volta das 10h. A Chefona passa por mim, sorri e vai direto a uma sala em um canto escondido do andar onde, as vezes, fazem reuniões. Tenho péssimas recordações daquele quarto branco e vazio. A última vez que alguém entrou lá saiu demitido logo depois de voltar de férias. Fiquei pensando se seria a vez de mais um, talvez a minha, quem sabe? Sempre achei que não gostavam muito de mim na "Cúpula dos 5" e que um dia seria "espirrado” definitivamente.
Depois de olhar atentamente para ela e a sala pensando as coisas mais tenebrosas, reparei que alguém a acompanhava. Sim, a primeira vítima ou o primeiro Analista Bozo Júnior.
Apreensivo, acompanhei de "rabo de olho" a reunião das duas. Quando saíram procurei por lágrimas ou alguma expressão de raiva na cara de alguma delas mas, como sou burro que nem uma porta, esqueci de colocar o óculos e não consegui enxergar nada. Foi assim o dia todo, entra um, sai, chama outro. Parecia até orgia.
Consegui manter-me calmo e tranqüilo como se nada estivesse acontecendo, dominando minha curiosidade. Precisava muito saber como a empresa me analisava. Um designer que trabalha como estagiário de jornalismo é o que? Analista Frankenstein Júnior? Eles realmente me achavam péssimo? Precisava de respostas depois de mais de um ano de silêncio.
Olham pra mim e dizem "Você é o próximo". Glump! Olho o relógio, 15:20. A Chefona olha pra mim, e sorri. Eu a olho e tento não demonstrar o nervosismo sorrindo de volta. Estava muito preocupado em ser classificado como Demitido Pleno. Dirijo-me à sala-matadouro. Nunca havia entrado lá. Uma saleta branca com um vidro escuro ao fundo e uma mesa ao meio. Parecia um consultório médico.
Ela começou a falar. Minhas pernas tremeram e qualquer palavra que saia de sua boca parecia terminar com "tido". Com o caminhar da conversa fui relaxando e pensando em como tentar demonstrar algum tipo de atitude.
O monstro de sete cabeças logo transformou-se em uma boa conversa sobre profissionalismo, evolução e estímulo embora muitas pessoas tenham achado pura balela. Nesses momentos procuro ouvir muito e entender os propósitos da empresa. O que ela disse deixou-me muito satisfeito, bem mais do que esperava. Fiquei bem surpreso.
Sobre o cargo? O esperado, Analista Júnior. Agora só falta saber o que analiso. Mas, essa é uma outra cruzada.
Em busca do cargo desconhecido - Parte I.
É hoje! Estão chamando as pessoas e dizendo o que significam para a empresa! Qual será meu destino? Seria essa mais uma palhaçada?
Enquanto o mistério permanece, procuro não ficar apreensivo, mas, como? Será que vão falar que preciso desenvolver liderança, conhecimento ou qualquer outra capacidade? Será que vou receber um aumento? Serei demitido? Onde está Wally? Willy Caolho matou-se ou foi assassinado? A Angélica colocou silicone? O Tião vai voltar com a Sol? Por que tantas perguntas? Não tenho mais o que fazer?
Holy shit!
Day after.
Quando pesamos que acabou, começa de novo. Estava trabalhando no meu canto e de repente alguém grita “Parabéééééns!”. Agora que estou em casa ouvindo “Day Tripper”, recapitulo o dia mais uma vez para tentar chegar a uma conclusão sobre o que estou fazendo da minha vida. Engraçado é perceber que sempre volto ao mesmo ponto: O que que eu estava pensando mesmo?? Enquanto olho para as bexigas já murchas que um amigo com o pulmão mais negro que meu passado tentou encher, procuro o que contar sobre um dia sem tantas emoções.
Tudo começou de manhã quando um vulto estranho tentou fazer contato. Fantástico! Não reconheci minha própria mãe. Dormi tão mal que não me mexia, não falava e não pensava. Na verdade acordo assim sempre, mas, dessa vez, foi mais forte. Parecia estar descolando da cama. A partir desse momento só lembro de estar no meio do sol escaldante do trânsito paulistano, naquele calor melado e abafado.
A única coisa que me ocorria era o objetivo do dia: interceptar o e-mail de aniversariantes antes que chegasse nas caixas da empresa inteira. Não gosto de ficar recebendo parabéns de todo mundo o tempo todo, eu fico sem graça (menino meigo, né?). O resultado dessa cruzada foi nulo. Cheguei e recebi o e-mail para dar as congratulações a mim mesmo. E com o nome errado. Fui alvo de apertos de mão, abraços, sorrisos e observações como “Você está novo ainda, é um garoto!” por todo o período que permaneci no escritório.
Quase na hora de ir, aparece uma moça do setor e grita “Parabéééééns!!!” com duas caixas de salgadinhos e dois refrigerantes. Dessa vez pegaram-me de surpresa mesmo. A mesa vermelha apenas refletia minha face quase roxa de vergonha. Deu até aquele calor de timidez, sabe? O engraçado foi ver a fama que adquiri: Hei, você não está comendo, o que acontece, está doente? A marca de “draga” me acompanha onde vou como se fosse uma extensão do meu corpo. Já estão até dando-me restos de comida! “Não quer? Dá pra ele que ele come”. Melhor que fama de otário, né?
Depois disso fiquei apenas recebendo as fotos do dia anterior e logo fui para casa.
Lembro que tinha dois termos criados por cada uma de minhas duas amigas do escritório que eu havia prometido utilizar mas, não consigo lembrar. Eram muito bons e volto a dizer que elas vão pegar o Expresso Limbo Fácil por seus comentários “levemente” maliciosos ;^) Vocês lembram quais eram?
