Estou com vontade de escrever. Não sei sobre o que. Tenho tantas coisas pra falar, tantos assuntos pra discutir, tantas visões pra dividir que não sei por onde começar. Minha cabeça tem girado mundos inteiros de uns tempos pra cá. O que mais me marcou foi a volta do meu passado. Reparei que sempre que nossa vida (pelo menos a minha) vai dar uma reviravolta, ele bate à nossa porta.
Sempre percebo que minha vida vai mudar quando aparece algum amigo há muito sumido, uma situação que volta a acontecer ou um estilo de vida que retomo. Dessa vez ocorreram todos juntos e minha vida transformou-se em algo inesperado. Coisa do tipo “água pro vinho”. Ainda estou avaliando se foi bom ou ruim. Tendo a pensar que as coisas nunca mudam pra pior, mas, fica sempre aquela sensação de receio antes de mais um desafio. Quando percebo estar acuado, tenho a característica de atacar. Nunca recuo, nunca me dou por vencido. Enfrento de frente e de perto, “olhando o bicho nos olhos”.
Não vai ser diferente, agora. Vou abraçar meu novo estilo de vida e seguir em frente. Aprendi a ser mais forte com o que vivi no passado e sei que foi essencial pra essa nova fase. Parece até um jogo. Fases, obstáculos, ficar mais forte... Acho que a vida não é nada mais, nada menos que um grande jogo. Cabe a nós descobrir suas entradas secretas e códigos de acesso livre a novos levels. Eu passei mais um. Não sei o que esperar dessa vez e não vou pensar nisso, só esperar a hora em que o passado voltará pra me buscar e mostrar que chegou a hora de pular para a próxima tela e sei que até isso acontecer, vou estar mais forte.
Que venha esse presente antes que o futuro pretérito bagunce tudo de novo. Estou pronto pra mais uma.
"You were there", Eric Clapton
segunda-feira, maio 29, 2006
Os presentes do futuro passado.
terça-feira, maio 16, 2006
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.
Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios
Colombo procurou as Índias
Mas a terra avisto em você
O som que eu ouço são as gírias do seu vocabulário
Estranho é gostar tanto do seu all star azul
Estranho é pensar que o bairro das Laranjeiras
Satisfeito sorri quando chego ali
E entro no elevador
Aperto o 12 que é o seu andar
Não vejo a hora de te encontrar
E continuar aquela conversa
Que não terminamos ontem
Ficou pra hoje
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu
Seu all star azul combina com meu preto de cano alto
Se o homem já pisou na lua
Como ainda não tenho seu endereço?
O tom que eu canto as minhas músicas pra tua voz
Parece exato
Estranho é gostar tanto do seu all star azul...
I'm breathing with....
terça-feira, maio 02, 2006
O que corre na alma de um Camarada.
"Há um vilarejo ali
Onde Areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraiso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for"
domingo, abril 02, 2006
"E aí, companheiro?".
Vou fazer uma pausa por escrever sobre minha viagem. Hoje quero falar sobre amigos. Aqueles que, mesmo nos dias em que estamos mais acomodados, nos fazem tirar o pijama, as cobertas, o chinelo de dedo, colocar uma roupa legal e ir a um jantar, uma festa ou a uma mera reunião. Quero falar sobre eles porque acabei de voltar de um desses eventos. Um jantar, mais especificamente.
Um jantar completo. Pão, ricota, sardela, vinho, iergenmaster (ou algo assim) lasanha (e que lasanha!) e claro, na sobremesa pavê. Tudo que mais gosto. Entretanto o prato mais recheado foi aquele que saboreamos com a alma. As conversas na varanda, as piadas, mesmo que marcadas, a troca de experiências, os sorrisos, as fotos. Tudo estava perfeito.
Enquanto olhava para a toalha branca esticada na mesa, pensei em como, muitas vezes, sou mal agradecido com a vida, que me deu amigos e sabedoria para degustar momentos tão especiais.
Por isso, hoje estou feliz. Quero contemplar o que conquistei com carinho e companheirismo. Também devo agradecer àqueles que fazem parte desse império. Obrigado, camaradas, esta noite durmo mais tranqüilo.
"Like a rolling stone", Bob Dylan ou Rolling Stones
terça-feira, março 07, 2006
Caminhos de um Eremita - Parte III
Meu destino estava lá, mas, eu não conseguia ver. Claro, pegando o caminho errado nunca se chega onde quer. Disseram “Pegue a rodovia Castelo Branco e entre no quilometro 78. Depois faça a interligação e vá até a Raposo Tavares, então é só seguir até o quilometro 100 e já chegou”. Não consigo nem seguir instruções decentemente, desde pequeno me perco nos lugares mais absurdos. Certa vez, quando estudava no Makenzie, logo no primeiro dia de aula, consegui perder-me no horário do intervalo e não pude retornar à sala. Alguns professores lembraram disso até o fim do ano, o que me dificultou bastante a vida. É uma vergonha.
Depois de muitos “Whata fuck!! Onde é que eu fui parar??”, consegui encontrar meu hotel (eu disse HOTEL, com “h”, assim como o maldito “heremita” que me encheram tanto o saco pra arrumar. Tá certo, tudo por um bom português) que ficava em frente a um Carrefour, perto da rodovia.
Chegando, fui resolver os problemas de instalação. Nome assinado e malas pra dentro. Começava minha empolgante jornada rumo ao desconhecido.
Com dez minutos de viagem já queria voltar. A TV do quarto pegava mal, o hotel era vazio e o andar inteiro fedia cigarro apagado. É, não podia deixar-me abalar pelas dificuldades e aridez do terreno, tinha que continuar, firme, forte e com um puta sono. E que sono!! Só conseguia pensar em dormir, mas, antes precisava tomar banho e escovar os dentes. Exatamente tudo o que não tinha no quarto. O que fazer? Foi aí que lembrei do Carrefour! Bendito seja!!
Guardei as malas, peguei a carteira, coloquei um chinelo e fui comprar sabonete e shampoo. No caminho fui me animando para ver a cidade. O vento estava favorecendo um bom clima para a noite levemente quente.
Com os acessórios comprados, voltei ao hotel e fui tomar meu delicioso banho. Delicioso não sei pra quem. Ao abrir o chuveiro, caiu uma água tão gelada que pensei que estavam de brincadeira comigo, só podia ser. E não tinha nada para mudar a temperatura da água. Pensei “Acho que ela esquenta com o tempo”. Sim, uns 20 minutos. Ótimo, adoro passar frio.
Banho tomado, faltava só escovar os dentes. Sabia que faltava alguma coisa. Volto a colocar o chinelo e o rumo do mercado de novo.
Dentes escovados, banho tomado. Agora sim! Jantei no restaurante do hotel e fui passear um pouco. Desci a avenida vendo as pessoas, os bares, os carros, tentando descobrir onde ia parar. Vi o céu da noite, que a muito não via. Essa caminhada sem compromisso me fez bem. Resolvi, então, parar num bar e pedir uma cerveja.
Beleza, estava eu lá, solitário, o homem da estrada pedindo minha cerveja gelada sozinho, como nos filmes de cowboy. Primeiro gole e penso “Da hora!”. Olho as pessoas rindo e divertindo-se. Os casais se beijando. Tomo o segundo gole e penso “Que merda! Que que eu to fazendo aqui sozinho??”. É, camaradas, ficar sozinho é bem estranho. Mais do que eu imaginava. Bem mais.
Pra não dizer que a noite foi totalmente perdida, vi um atropelamento. Uma moto atropelou um rapaz que subia a avenida a cavalo bem pelo meio da rua. O que dá na cabeça de um cara pra subir uma avenida movimentada a cavalo, com um galho na mão e virar de repente? No meio da rua!! Claro que seria atropelado! Logo que virou, percebi o que estava por acontecer. O barulho do impacto foi alto. O rapaz e a moça que estavam na moto voaram para o chão enquanto o safado do peão erguia-se para fugir em seu cavalo branco. Que cena bonita. A policia, como sempre, chegou atrasada. Adoro gente ágil, tanto o rapaz e seu cavalo branco quanto a policia.
Pedi mais uma cerveja. Queria ver se aquela sensação passava, mas, percebi que vinha pra ficar. Voltei ao hotel vazio e para meu quarto-cinzeiro. Dormir longe de tudo e de todos também é bem estranho. Quem sabe no dia seguinte não me sinto melhor?
Continua...
"Como vovó já dizia", Raul Seixas
