Sade - Pearls
there is a woman in somalia
scraping for pearls on the roadside
there's a force stronger than nature
keeps her will alive
this is how she's dying
she's dying to survive
don't know what she's made of
i would like to be that brave
she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives a life she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes
hurts like brand-new shoes
there is a woman in somalia
the sun gives her no mercy
the same sky we lay under
burns her to the bone
long as afternoon shadows
it's gonna take her to get home
each grain carefully wrapped up
pearls for her little girl
hallelujah
hallelujah
she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives in a world she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes
hurts like brand-new shoes
quinta-feira, dezembro 28, 2006
Esquecendo 2006.
sexta-feira, setembro 29, 2006
I can't tell you why.
Look at us baby, up all night
Tearing our love apart
Aren't we the same two people who live
Through years in the dark?
Ahh...
Every time I try to walk away
Something makes me turn around and stay
And I can't tell you why
When we get crazy,
It just ain't to right,
(Try to keep you head, little girl)
Gir, I get lonely, too
You don't have to worry
Just hold on tight
(Don't get caught in your little world)
'Cause I love you
Nothing's wrong as far as I can see
We make it harder than it has to be
And I can't tell you why
I can't tell you why
No, no, baby, I can't tell you why
I can't tell you why
I can't tell you why
| Eagles |
terça-feira, setembro 12, 2006
Sussurros da noite.
Por esses dias um grilo tem visitado os “Alpes da Brasilândia” onde resido. Passa a noite a “cricrilar” em frente à minha janela. Incansavelmente. Por incrível que pareça, os renitentes “cri-cris” não me incomodam, pelo contrário. Levam-me de volta à minha infância querida, encalacrada em algum canto escuro e distante da minha memória.
Diferente de muitas pessoas, não vou contar histórias incríveis de uma criança cheia de vida. Aliás, não vou contar história alguma. Vou escrever sobre a minha percepção de mundo, muito diferente das outras crianças.
Nunca fui convencional. Sempre atentei para coisas que ninguém, até seus seis anos de idade, prestava atenção. No vento soprando as nuvens e os resquícios de lua pela manhã, o movimento demorado do Sol pela janela deixando o canto da minha cama, o cheiro da chuva e o céu confuso entre tons cinzentos e o azuis. Claro que gostava de brincar, mas era isso que me fascinava. Ficava parado, observando com paciência, percebendo o momento segundo a segundo e, às vezes era isso o que durava. Poucos segundos.
Lembro de uma janela rachada no quarto de minha avó.A fissura atravessava o vidro na diagonal, fazendo uma curva que começava quase reta e terminava íngreme. Gostava de ficar olhando para ela e imaginando que era parte do desenho de uma montanha bem verde e que eu desceria de carro um dia. Até cortei-me certa vez quando resolvi fingir que o carro era meu dedo. Com três anos de idade, ainda temia o sangue. Não senti a dor do ferimento, no entanto chorei ao ver o vermelho vivo.
Recordo quando viajava com meus pais para colônias de férias na praia. A sensação de estar em um lugar novo, ainda que sempre fosse o mesmo. Pessoas novas, amigos novos, as brincadeiras, tentar ver os filmes que exibiam a noite e que crianças não podiam ver, tentar pescar girinos pensando que eram peixes pretos, a grama da noite molhada pelo sereno, o ar úmido de praia, a areia entrando no tênis, o xixi escondido no mato e o som dos grilos.
Uma lembrança muito marcante era o som dos grilos anunciando a chegada da noite. Dezenas deles, fazendo aquele “cri-cri”, me hipnotizando, dizendo: “Olha, a noite chegou, você já viu a lua?”. Adorava ir para algum canto, solitário, ouvir os grilos, ver a lua e sentir o cheiro do mato. Desligava do mundo nessas horas. Pensava sobre tudo enquanto escutava aqueles sons que me encantavam e que eu nunca sabia de onde vinham ao certo. De alguma forma, sabia que um dia isso ia mudar, então, sentia o peito apertado, com saudade de uma história que havia apenas começado.
Saudade que hoje é real. Um encanto que a vida adulta me tomou, prazeres que hoje, não são mais tão simples. Lembranças doces e distantes que um grilo perdido na cidade trouxe de volta. Um abraço quente que não sentia há tempos, de mim mesmo vinte anos mais novo. Outra vez, ao deitar na cama, vou dizer: “Boa noite, meu amigo.”. Espero ouvir sua resposta mais uma vez. “Cri! Cri! Cri!...”
| Silêncio!! |
quinta-feira, julho 13, 2006
Brisa despedaçada.
Um homem sai de seu escritório depois de enfrentar 12 horas de trabalho. Seu corpo cansado quer apenas encontrar repouso em uma cama macia e a boa comida que seu lar oferece. Em meio a folhas e pastas, joga seus pertences na bolsa com pressa.
O celular toca, amigos o convidam para beber. Ele pensa em descansar, mas, a vontade de extravasar o peso das responsabilidades é mais forte. O sabor amargo e borbulhante de uma boa cerveja gelada regado a gargalhadas e ar fresco podem curar temporariamente suas dores até a próxima manhã.
Convite aceito, bolsa no carro, vidros abertos, boa música, a lua gentilmente brilhante e vontade à tona. Os ingredientes misturam-se e formam a perfeita combinação para a noite ser agradável.
No caminho pensa todos os assuntos do dia. Alguns deliciosos, outros um pouco mais preocupantes, breves revoltas sobre o trabalho. Ele não se deixa abater e segue firme, sem pensar que em poucas horas enfrentaria tudo novamente.
Estaciona o carro e combina o valor com o rapaz que promete cuidar do veículo. Chegando, vê-se livre ao sentir a mesa de bar, as bolachas de apoio, os copos tornando-se cheios e sendo selados com espuma branca e cremosa, o suor no vidro redondo, os goles gelados, a mão molhada na umidade da garrafa, os sorrisos. Sempre amou o gosto da liberdade, da vida simples e despreocupada.
Durante sua viagem interior, percebe certa movimentação. Pessoas levantam-se de suas mesas, algumas ligam os celulares, outras arregalam os olhos. Lentamente vira-se. Repara um clarão no meio da rua, próximo onde está sentado. Seus olhos cansados não conseguem focar o que está acontecendo exatamente. Força os olhos e escuta: “Está pegando fogo!!”. “O quê?”, pergunta curioso. “O ônibus!!”. Desconfiado, resolve levantar e averiguar o alarme. Só então consegue identificar as luzes. Fogo, labaredas lambiam o coletivo com voracidade. Pedaços de vidro pelo chão e outras partes que somente brilhavam em chamas. Medo e tensão passaram a tomar conta do ambiente. Até a brisa leve e suave transformou-se em um vento frio.
Ele reage apenas com a mente, revoltando-se por mais um ato de vandalismo coordenado. Os sabores dissiparam-se e deram lugar ao gosto amargo das sirenes. Ele observa um helicóptero esbaforido, provavelmente de alguma emissora de televisão. As pessoas correm, algumas riem desprezando a situação. Garçons fecham as mesas e avisam: “Pessoal, vamos ter que fechar o bar por motivos de segurança!”.
Fim de noite. A frustração trás consigo todas as sensações desagradáveis que tentou esquecer. Volta a pensar na cama macia e segura. Pensa e teme ter seu direito a um mínimo de qualidade de vida deflorado.Ele não quer mais temer. Ele não quer mais revoltar-se. Ele quer paz, justiça e consciência, mas, lutar sozinho, é pesado.
“Melhor voltar pra casa”.
| "Mi Vida", Manu Chao |
quarta-feira, julho 05, 2006
Independentes e urbanos.

Neste 4 de julho, dia da independência americana (malditos ianques), tenho o prazer de dizer que chegou ao Brasil, mais especificamente em São Paulo, a “filial” do blog americano Gothamist. Por iniciativa de um grupo de independente de jovens jornalistas, o Sampaist foi criado para noticiar a vida paulistana em seu mais amplo sentido: música, bares, arte, cultura, curiosidades, pontos turísticos e mais outros atributos da cidade mais movimentada do país. Sua equipe é muito talentosa e dedicada, o que pode ser notado em uma leitura leve, agradável e bem instrutiva. Também usam fotos características da cidade ilustrando as matérias.
Interessante é que o leitor também pode interagir com o conteúdo, não só comentando, mas enviando material. Sim, eles aceitam sugestões de textos! Claro, se estiver dentro do tema “São Paulo”, por isso nem adianta mandar um post lamentando sua vida miserável, vamos ter um pouco de bom senso.
O Sampaist é um prato cheio para quem ama São Paulo, perfeito para os urbanóides de plantão. Mesmo para quem não gosta tanto de florestas de pedra, vale muito a pena dar uma passadinha por lá e conhecer um pouco da parte bela de nossa cidade ou simplesmente informar-se sobre o que acontece no decorrer do dia.
Esse Camarada já é fã!
| "Nem vem que não tem", Wilson Simonal |
