quarta-feira, maio 07, 2008

Operação “Spartacus” – I. Apresentação

Camaradas de caminhada, trago ao conhecimento de todos o mais importante projeto desse intrépido, belo, deveras inteligente, munido de incontáveis predicados que vos escreve de vez em nunca.

Dou inicio á “Operação Spartacus”. Primeiramente, como homem educado e civilizado que sou, vou contar a história de nosso homenageado.

Spartacus, como muita gente deve saber, é um filme do renomado diretor Stanley Kubrick, vencedor de quatro oscars na década de 60. Spartacus também é o nome de um antigo jornal periódico anarquista. Pode ser também o nome de um grupo revolucionário socialista alemão, fundado em 1915. Spartacus pode ser ainda o nome de um asteróide ou até título de disco de uma banda de rock. O que pouca gente sabe é: Spartacus existiu. O motivo de tanta inspiração? Para explicar esse fenômeno, precisamos dar um breve passeio pela história de seu mito.

Viveu entre 120 e 70 aC. e foi líder em uma revolução de escravos contra a antiga Roma. De origem trácia (leste da Grécia), Spartacus foi incorporado a um grupo auxiliar do exército romano e, por desertar, foi caçado, capturado e vendido como escravo. Posteriormente foi revendido e, por sua força, foi confinado em uma escola de gladiadores em Cápua, onde contraiu sua fama. Enraivecido pelos maus tratos, ele e mais alguns gladiadores atacaram os guardas da academia, fugindo logo depois. Neste meio tempo, Spartacus e seu grupo encontraram armas e iniciaram uma cruzada pela libertação no coração do império. Várias expedições romanas foram enviadas a fim de eliminar Spartacus e dispersar a rebelião porém, sem sucesso. Só algum tempo depois, já merecendo a atenção da alta cúpula, o cônsul romano Crassus venceu-o em batalha, crussificando todos os sobreviventes ao longo da Via Ápia. Relatos falam da bravura de Spartacus mesmo sabendo da derrota certa.

Com certeza, nosso colega acima era um homem de fibra. Na minha concepção, Spartacus serve como uma idéia, assim como outros heróis pessoais. O legionário que virou escravo, que virou gladiador, que virou comandante e, por fim, virou mártir. No fundo dessa trama, temos como foco a luta pela liberdade. Liberdade de pensamento, de ir e vir, de escolher, de não querer ser posse, de escolher quando dizer sim ou não. Ao longo do tempo ouvi muitos “nãos”, fui recriminado e me recriminei. Vi pessoas prenderem-se a conceitos estapafúrdios como “minha mãe não deixa” e “o que é que vão pensar?!”.

“Operação Spartacus” é o nome que dou à minha grande viagem. Não, não vou me matar, ainda tenho alguns layouts pra entregar. Nem vou comprar um quilo de drogas. A viagem que vou fazer é aquela que eu quis a vida toda: sair sem rumo pela Europa. Claro que não é tão sem rumo assim mas, não vou seguir a regra à risca. Pretendo viver com intensidade máxima cada momento, cada lugar, desatar amarras, esquecer dos “nãos”, das “mães nazistas”, do pensamento covarde de outrem, das minhas nóias.

Tenho como meta encarnar o espírito de nosso bravo paraninfo e seguir em frente, se possível, libertando outros. Afinal, que líder libertário eu seria se trabalhasse apenas em minhas correntes?

Leia ouvindo | "Brother", Alice in Chains |

segunda-feira, abril 23, 2007

Sobre medo.

Esses dias prestei atenção ao significado do “ter medo”. Do que sentimos medo? Quando crianças dizíamos temer o monstro que vive debaixo de nossas camas. Adolescentes, de que nossos amigos nos vissem em situações constrangedoras. E agora, adultos? Nós que já ultrapassamos a barreira vinteônica, muitas vezes, já contraímos tantos receios que tornamo-nos bombas relógio.

Primeiro, quando mais jovem, temia não honrar meus pais. Atentava para toda e qualquer ação, minha e dos outros. Aprendia tudo que era possível, tentava ser justo ao máximo. Muitas vezes errava, reconhecia e me desculpava. Alguns aceitavam, outros retalhavam. Um dia percebi que tinha que honrar a mim mesmo. Sendo, ainda, justo e sincero. Honra não se transfere e cada um encontra o caminho para sua própria.

Em uma fase posterior, tive muito medo de falhar em minha profissão. A insegurança era tanta que paralisava minha criatividade. Não conseguia pensar, cada problema transformava-se em um Godzila corporativo. Tempo e experiência foram mentores para tornar-me um profissional.

Hoje, meus medos enraízam na parte mais frágil de qualquer pessoa. Sofrer pelo coração tornou-se um fardo muito maior do que imaginei. Enquanto resolvia meus problemas “políticos” e profissionais, uma nuvem negra cresceu em volta do meu peito. Fez com que magoasse pessoas extraordinárias, que me amavam muito. Uma atitude incompreensível, por vezes, imperdoável. Na tentativa de evitar sofrimento, a dor foi a mesma. Talvez até maior do que esperava. As mesmas palavras ásperas, as mesmas lágrimas, o desespero vivo que fala por nossas bocas sem permissão.

Ainda preciso resolver questões dentro de minha cabeça. Continuo confuso e temeroso. Só me resta pedir perdão àqueles que fiz sofrer, erguer a cabeça como um homem e continuar no caminho.

Leia ouvindo "Pearls", Sade

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Contos de renovação - 1° Parte

...Pela manhã e pela tarde o frio predominou e os ventos passaram fortes...
A noite abre-se ao dia. As nuvens não dispersaram e o céu palidou-se. Pela manhã e pela tarde o frio predominou e os ventos passaram fortes pelos corpos e pelo mar, instigando as ondas que lançavam seus respingos ao ar, espalhando o cheiro de maresia.

Um rapaz cerra os olhos para o horizonte frigido e branco. Sente no corpo o soprar turbulento da praia. Os cabelos bagunçam, a maré molha suas pernas. Olha o oceano e recorda os momentos de agonia naquele primeiro minuto em que explodiu junto à chegada do novo. Revê as lágrimas derramadas junto à água. Sentiu seu exorcismo naquele instante, viu-se sozinho no punhado de amigos. Só a renovação cabia, só a restauração importava. Lembra a segunda explosão onde afrontou a dor enraizada na alma.
VAI EMBORA!!!” gritou repetidas vezes enquanto abria o peito em desafio. Arriscou jogar a garrafa barata no mar mas, foi detido por um alívio repentino. Sem
aviso prévio, ela havia partido. Sentia-se livre. Respira fundo e, com os olhos ainda molhados, pronuncia um tremulo “Obrigado...”- agradece às águas.

Eram memórias de uma noite de libertação. Ele percebe que a mudança é permanente, nota que não é mais o mesmo. A coragem invadiu seu coração no momento certo. Está renascido. O vento gelado passa a ser um abraço doce de vitória e vida. A água fria lava seus pés para a nova jornada de batalhas que virá a enfrentar. Dessa vez não sente medo e sim, vontade.

A brisa ainda bagunça seus cabelos. Olhos cerrados levantam-se para o horizonte novamente. Enfim homem, compreende seu destino.


Leia ouvindo "Partida Del Leprosario", Gustavo Santaolalla

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Esquecendo 2006.

Sade - Pearls
there is a woman in somalia
scraping for pearls on the roadside
there's a force stronger than nature
keeps her will alive
this is how she's dying
she's dying to survive
don't know what she's made of
i would like to be that brave

she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives a life she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes

hurts like brand-new shoes

there is a woman in somalia
the sun gives her no mercy
the same sky we lay under
burns her to the bone
long as afternoon shadows
it's gonna take her to get home
each grain carefully wrapped up
pearls for her little girl

hallelujah
hallelujah

she cries to the heaven above
there is a stone in my heart
she lives in a world she didn't choose
and it hurts like brand-new shoes
hurts like brand-new shoes